Carlos Rocha

De Viseu a Santiago de Compostela. Contributo para o estudo toponímico do Caminho Português do Interior

Em Portugal, a peregrinação a Santiago de Compostela tem longa tradição e diversidade, não só pelos muitos caminhos existentes mas também pelo facto de Portugal ser território de passagem para quem vinha de regiões sul-leonesas, estremenhas e andaluzas. O leque de itinerários é, portanto, diversificado, conforme sublinham os investigadores (H. Baquero Moreno, Jaime Martins, A. M. Ribeiro da Cunha, entre outros). Nas últimas décadas, para dinamizar a economia regional e encontrar formas de cooperação transfronteiriça, revitalizam-se os velhos caminhos jacobeus, estimulando o interesse pela história e a cultura locais. A presente comunicação constitui um contributo para o estudo toponímico de um desses trajetos, o chamado Caminho Português do Interior para Santiago de Compostela. Para tanto, analisa-se etimologicamente uma seleção de nomes de povoações compreendidas entre Viseu e Chaves, identificadas nos trabalhos de Arlindo M. Ribeiro da Cunha e Paulo Almeida Fernandes. Apresenta-se também a distribuição diacrónica dos topónimos recolhidos, por estratos histórico-linguísticos, no contexto da história linguística de Portugal continental e das regiões peninsulares vizinhas.

Carlos Rocha. Investigador do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa. Doutor em Linguística pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com tese intitulada Etimologia dos hidrotopónimos de Portugal Continental. É professor do ensino secundário. Desde 2005, tem desempenhado as funções de editor executivo do portal Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.